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A HISTÓRIA E AS ORIGENS DA FAMÍLIA MARRA

por Mariel Márley Marra[1]

INTRODUÇÃO

Esta pesquisa tem por objetivo trazer informação sobre a história e as origens da família Marra. Trata-se de uma ampla pesquisa em fontes bibliográficas e sites da internet, tendo em vista colher dados suficientes sobre esta augusta família de origem judaica, que pela Graça de Deus cresceu e se espalhou pelo mundo, chegando até o Brasil fugindo da terrível inquisição na Europa por volta dos séculos XV e XVI.

ORIGENS DA FAMÍLIA MARRA

Família de origem judaica parte italquita (judeus da Itália) e parte sefaradita. Sendo a única referência existente da mesma com tal sobrenome alusiva ao fato de que seus ancestrais se estabeleceram na Itália ao fugirem da inquisição espanhola por volta dos séculos XV e XVI; Onde acabaram ficando conhecidos unicamente como MARRA.

De acordo com alguns genealogistas, o sobrenome Marra tem origem em Nápoles, na Itália. Alguns membros dessa família foram para Portugal, tal como Andrea Marra (André Marra), que foi violinista e compositor, napolitano, que foi para Lisboa, contratado para o serviço da Câmara e Capela Real, a partir de 1750.

MARRA em termos gerais significa clareira em vinhedos ou olivais e também é a parte do instrumento cortante, oposto ao gume, fio da lâmina. Desse modo deu-se também origem a expressão popular “Na Marra” que significa algo difícil feito geralmente com muita garra e força de vontade.

No tocante a origem da linhagem israelita desta família, o que se pode constatar é que durante muito tempo na Espanha, este sobrenome de família formava na verdade um sobrenome composto, constituindo uma única família ligada aos Lopez, antes de alguns membros dessa mesma família fugirem da Espanha para escapar da inquisição e se estabelecerem na Itália.

No caso específico do sobrenome composto, formado pela união de uma palavra proveniente do hebraico com uma palavra proveniente do castelhano / português era conhecido como MARRA-LOPEZ.

O que automaticamente leva a crer que o mesmo na verdade constitui um apelido de família adotado por um ramo dos antigos LOPEZ / LOPES espanhóis, ou vice-versa, e nesse caso constata-se que a origem da família MARRA tem sua ligação como sendo parte da história da família LOPEZ  / LOPES, que na verdade também é uma referencia a antiga história judaica sefaradita da família MARRA.

Sobre a família LOPEZ / LOPES, da qual em parte descende os ”LOS DA MARRA” (OS MARRA), tal como era então conhecida tal família no período de transição da idade média para idade moderna e antes da fuga de parte de seus membros fugindo da inquisição para a Itália, sabe-se que LOPEZ / LOPES são sobrenomes de comprovada origem judaica sefaradim e anussim, sendo seus membros descendentes da fusão de um ramo da família Ha-Levy (Levitas) com uma família originária da antiga tribo de Benjamim (Benjamitas).

O núcleo original da família surgiu na cidade de Toledo, onde estavam divididos em quatro ramos, que adotaram, por volta do século XIV, os seguintes sobrenomes compostos, formados por palavras hebraicas e espanholas: Abenlupiel, Abenlupe, Abenlopi e Levy-Lobo.

As origens judaicas dessa família que está ligada a antiga tribo de Benjamim, ela é explicada pelo comentário do sábio judeu sefaradita Abram Ibn Daud, o qual afirma que tanto a cidades de Mérida, Málaga, Sevilha e Toledo teriam sido fundadas por descendentes das tribos de Judá e Benjamim, sobre isso diz ele: ”Sobre os ancestrais dos Abenlupe, Abenlupiel, Abennunez, Abensala,…,Abenlupiel, Abenlupe, Abenlopi,…, Eram seus habitantes descendentes de Judá e Benjamim, todos vindos de Jerusalém, a Cidade Santa, e não de aldeias rurais!’‘.

Como Lobo em latim é Lopo, eles por derivação acrescentaram o sufixo espanhol EZ final, que em Portugal virou ES. Surgindo assim os sobrenomes Lopez e Lopes.

Existem outros ramos dessa família mais ligado ao parentesco sacerdotal, que depois vieram a adotar também o sobrenome comum Lopes, e estes foram as famílias: Levi; Levin; Ley; Loreti; Lorete; Lorette; Loreto.

Na ascendência judaica dos Lopes / Lopez, predominava mais ancestrais originários da tribo de Benjamim sobre os Ha-Levy, sendo por isso que eles adotaram um apelido de família derivado da palavra latina para Lobo = Lopo.

E por que o Lobo? É bastante simples, pois o símbolo do estandarte dessa tribo quando os antigos hebreus deixaram o Egito, sob o comando de Moshê Rabênú (Moisés, nosso mestre) e montavam acampamento nos desertos por onde os israelitas vagaram por quarenta anos, o símbolo era um Lobo. E por essa razão também que no brasão da família Lopes / Lopez, encontram-se desenhados dois lobos em posição de ataque.

O símbolo do lobo adotado pelos descendentes da tribo de Benjamim, como os sefaradim e anussim Lopes e Lopez, está associado à benção dada por Jacó a seu filho caçula antes de morrer, como pode ser visto em Gênesis 49:27 que diz “Benjamim é como um lobo feroz; de manhã devorará a vítima e de tarde repartirá as sobras.”

Já adoção dos sufixos EZ e ES em muitos sobrenomes adotados pelos descendentes de judeus sefaradim e anussim, isso se deve ao fato de que tais sufixos tradicionais EZ/ES eram adotados no final dos sobrenomes pelos judeus, chamados de cristãos-novos após o batismo forçado pela Inquisição na igreja católica.

Ele representa uma antiga sigla usada como código de identificação e de segurança entre os judeus sefaradim / anussim na época das perseguições da inquisição, significando essa sigla judaica à expressão hebraica Eretz Yisrael = Terra De Israel, para indicar que uma pessoa descende do povo de Israel.

Em suma o que se pode depreender é que a família MARRA / MARRAS ( MARRA-LOPEZ) pertence ao conjunto de famílias  marranas ou anussim, descendetes dos antigos judeus sefaradim, que resistiram as ondas de conversões forçadas ao catolicismo, instauradas na Espanha  e Portugal a partir dos progroms, ou matanças coletivas de judeus, entre 1391 e 1411, e que devido a isto fugiram da Ibéria e se refugiaram na Itália para escapar das perseguições da inquisição.

Porem ao se recuar mais no tempo, no período compreendido entre final da Antigüidade e o inicio da idade media até a conquista árabe muçulmana da península Ibérica, consegue-se obter mais dados sobre as origens da família MARRA.

Descobre-se, por exemplo, que a palavra que a originou designava um conjunto de sobrenomes de famílias de judeus sefaraditas, que viviam na Hispânia(Espanha) Muçulmana, e que fora tirada a partir da língua berbere, a qual juntamente com o árabe eram falados pelos conquistadores mouros vindos da África do Norte.

O atual MARRA pode ser o resultado da transliteração da palavra hebraico MARRANEH, que em português significa Tropas, Multidão, Exército, Acampamento, Campo.

No hebraico o plural de Marraneh é MARRANAYIM / MAHANAIM / MAANAIM, que significa dois acampamentos ou dois exércitos em confronto, sendo este o nome que Jacó deu a um lugar situado ao oriente do Jordão, onde os anjos de Deus foram encontrá-lo assim que Jacó se apartou de Labão e antes de passar o vau de Jaboque em Gn 32:2 (Lugar com água no mar, rio ou mangue que se pode passar a pé).

Deu-se também nesse lugar o encontro para estabelecer a linha divisória das tribos de Gade e Manassés conforme Js 13:26 a 30. Este lugar também foi a porção de terra que foi dada aos levitas (Ha-Levy) de Merari (Js 21:38). E depois de ser consagrado, este lugar veio a ser cidade fortificada em que Is-Bosete estabeleceu a sede de seu governo (2Sm 2:8). Davi retirou-se para esta cidade, enquanto durou a revolta de Absalão que se havia apoderado de Jerusalém (2 Sm 17:24-27).

Outro possível resultado para o atual MARRA, segundo alguns genealogistas, vem de DELLA MARRA, os quais viviam em Sainte Opportune la Mare, na região da Normandia/França durante o século X. Sendo que o nome original dessa linhagem era ”De la Mare”, foi primeiramente transliterado para Della Marra e finalmente para Marra.

Contudo o atual MARRA é também o resultado moderno da transliteração dos antigos sobrenomes judaicos sefaradim em língua berbere MARRACHE/ MARRATXI/MARAXE/MARACHI/MARADJI.

Sendo todas essas variantes do mesmo sobrenome de família, que por sua vez oriundos da palavra berbere MARAIS, que também é um antigo sobrenome judeu sefaradim do qual derivou todos os acima citados, e que significa primitivamente ”aquele que vem dos pântanos”.

A provável seqüência correta de transformações fonéticas sofridas por tal sobrenome até chegar ao atual MARRA foi a seguinte:  MARAIS virou MARADJI  que virou  MARRATXI, que se tornou MARAXE que se tornou MARRACHE, que virou MARACHI e que se transformou em MARRAS.

Entretanto, embora a família judaica sefaradita que adotou tais apelidos para seu sobrenome MARAIS, quisesse dar a entender que tal sobrenome era de origem berbere e que significava ” aquele que vem do pântano”, para provavelmente evitar perseguições, percebe-se então que a origem de tais apelidos de família é na verdade hebraico. Tendo em vista que o sobrenome hebraico que originou os apelidos mencionados acima, sido primariamente transliterado para a língua berbere.

No tipo de transliteração de uma sobrenome original hebraico / aramaico usado pelos judeus sefaradim para outra língua, procurava-se sempre adotar palavras da língua em questão, as quais preservassem em sua estrutura fonética o radical ou par invariável da palavra equivalente com as consoantes existentes  no sobrenome de família hebraico / aramaico original.

Tal regra era adotada pelos judeus sefaraditas porque nas línguas semíticas como o hebraico, aramaico, árabe, caldaico, acádico, amhárico ou etíope, etc., quando  os nomes eram grafados na antiguidade, nunca se usavam as vogais, mas apenas as consoantes para transcrevê-los.

E no caso da palavra berbere que deu origem ao sobrenome MARRA /MARRAS e MARAIS, a mesma é o resultado da transliteração da a última parte do antigo sobrenome hebraico original BEN-MARAÍ. E MARAÍ que é a forma resumida de MARAIYAHÚ, é um termo hebraico que nas Bíblias em língua portuguesa aprece transliterado como MERAÍAS. Tais expressões em hebraico significam ambas ”levantado por Deus”.

Analisando o texto bíblico, verifica-se no Livro de Neemias, em Ne 12:12, que o ancestral remoto dos antigos  BEN-MARAÍ, depois transformado em MARAIS e atuais MARRAS,  conhecido como MERAÍAS, este era um dos chefes das famílias sacerdotais ou cohanin que voltaram do exílio e cativeiro  da Babilônia.

Conclui-se por tudo pelo exposto acima que a família MARRA/MARRAS, quanto ao seu surgimento na antiguidade, é uma família de origem  sefaradim / anussim descendente em parte dos cohanin e em parte da antiga tribo de Benjamim.

Entretanto apesar de serem de origem sacerdotal (cohahin e levin) os nomes das famílias que deram origem ao sobrenome MARRA (BEN-MARAÍ, MERAÍAS ,MARAÍ, MARAIYÁHU, MARAIS) não são precedidos ou seguidos das expressões Cohen ou Halevy, devido ao fato de estes prefixos são por tradição adotados pelos descendentes masculinos dos sacerdotes do Templo de Jerusalém. Porém até a destruição do Templo pelos romanos no ano 70 D.C, Cohen e Levy, não tinham função de sobrenome, mas eram utilizados para denominar duas das três castas religiosas nas quais se encontra dividido o povo judeu para efeitos de realização dos rituais da liturgia de culto judaico, sendo essa três castas por ordem de importância: Cohen; Levy e Ben Yisrael.

Os Cohen eram aquelas pessoas descendentes diretas do sumo sacerdote Aarão. Os Levy descendem dos sacerdotes auxiliares os levitas que pertencem à tribo de Levy. Os Binei Yisrael ou filhos de Israel englobam tantos os judeus que não conseguem traçar historicamente sua ligação a uma das demais tribos israelitas como aquelas pessoas que se converteram ao judaísmo e que também são chamadas Ben-Abraham, com referência as promessas que Deus fez a Abraão em Gênesis 12: 2-3.

E é justamente devido a essa mesma regra pela qual os nomes adotados pela família sefaradita que deram origem ao sobrenome MARRA, não serem precedidos ou seguidos das expressões Cohen ou Ha-Levy, que são por tradição eram adotados pelos descendentes masculinos dos sacerdotes do Templo de Jerusalém.

Esta regra também é válida para os demais sobrenomes originais das seguintes famílias de origem judaica sefaradim / anussim que são também de linhagem sacerdotal:

Haiym que deu origem por tradução aos sobrenomes Vital, Vidal, Vida, Vivones; Ben-Querós que de origem por transliteração aos sobrenomes Queiroz, Queiróis, Queiroga;

Bar Natahn em aramaico ou Ben Natahn em hebraico e que deu origem por transliteração aos sobrenomes Antunez e Antunes;

Cohen Naar ou Naar que deu origem por tradução de sua última parte (Naar) aos sobrenomes Ribeiro, Ribeira, Ribeyro, Ribeyra, Rivero; Rivera, Vieira, Vieyra;

Betzur que deu origem por tradução ao sobrenome Rocha e por transliteração ao sobrenome Bezerra;

Baruch que deu origem por tradução aos sobrenomes Bento e Batista;

Benveniste que deu origem por tradução ao sobrenome Benvindo;

Beraca e Brakah que deram origem por transliteração ao sobrenome Braga;

Ha-Levy que significa ” O Levita” e que deu origem por transliteração aos sobrenomes Oliveira ( O -L-V), Levi ,Leivas, Lavor e até mesmo Vilela que é La Levi = Alevi, em castelhano e escrito de trás para frente;

Lael que é sobrenome levita e deus origem a Leal que é ele escrito também de trás para frente;

Abenaçaya, Abençaya, Abencaya, Abenasaya, Aben Sala, Açaya, Aça, Asaya, Asa, Çaah , que por transliteração originaram as atuais formas Saa / Sá;

Remaliyaú ou Remalías que deu origem por transliteração ao sobrenome Ramalho;

Bar Rosh que deu origem por transliteração ao sobrenome Barros;

Gattom que deu origem por transliteração ao sobrenome Gato;

Ben Soussan que deu origem por transliteração de sua última parte aos sobrenomes Sosa, Sousa e Souza;

Hazan que deu origem como forma de apelido de família aos sobrenomes Homem, Hombre , Henriques e Henriquez;

Ben Soher que deu origem por transliteração aos sobrenomes Soeyro,Soeiro,Soares,Suares,Suarez e o galego Xuarez;

Faraira que deu origem ao sobrenome Pereira;

Hacohen Lara que por redução deu origem ao sobrenome Lara;

Cohen Cuna que deu origem por redução e fusão de Cohen + Cuna ao sobrenome Cunha;

Sekher (guarda do templo) que originou os sobrenomes Sequerra, Siqueira e Cerqueira, etc. E assim por diante.

Devendo-se também aqui ressaltar nas comunidades judaicas de origem ou descendência sefaradim existe e sempre existiu um número bastante elevado e até maior que entre os ashkenazim, de famílias descendente dos cohanin e levitas.

Os dados sobre as origens judaicas dos sobrenomes citados nesse texto foram colhidos das bibliografias anexo que são fontes de pesquisa histórica-genealógica para a identificação de famílias judaicas de origem sefaraditas.

O BRASÃO DA FAMÍLIA MARRA

De acordo com a simbologia heráldica, os escudos dos brasões representam os escudos de guerra, onde os combatentes pintavam suas armas para serem facilmente identificados, e estes podem ter diversas formas.

O Brasão da família Marra possui um leão em posição de ataque segurando uma espada e 5 luas-crescentes abaixo dele associadas à fecundidade, dispostos sobre um escudo de formato Português/Espanhol, pintado com esmalte vermelho significando vitória, fortaleza e ousadia.

O esmalte vermelho é conhecido também como goles ou gules, recebendo este nome nas armarias da nobreza geral. Quando presente nos escudos dos príncipes, passa a ser chamado de marte, enquanto nos brasões dos nobres titulados é chamado de rubi. Este esmalte é associado com o valor e a intrepidez e obrigava os seus portadores a socorrer os injustiçados e oprimidos.

O leão é uma das figuras mais empregadas na heráldica, sendo encontrado nos brasões de inúmeras famílias e nas armas de diversos países. No campo do brasão podem aparecer um ou mais leões, sendo que o número total não pode ser superior a dezesseis.

Nos brasões infamados, assim classificados pela prática condenável do seu dono, caso exista a figura de um leão, este é representado desprovido de cauda e dentes.

As vezes o leão aparece composto com outros animais, como a águia. Neste caso, passa a chamar-se Grifo. Esta peça, com a parte superior de águia e corpo de leão, é encontrada nos brasões de muitas famílias, como por exemplo dos Bachasson, Dauyat e Doriac.

A presença do leão no brasão de armas insinua força, grandeza, coragem, nobreza de condição. Também caracteriza domínio e proteção, condições que deve ter um superior sobre aqueles que domina.

Nos brasões portugueses e espanhóis o leão representa, em muitos casos, aliança com a casa real de Leão (Espanha) ou concessão por ela outorgada.

A FAMÍLIA MARRA NA HISTÓRIA MUNDIAL

Segundo consta em alguns registros históricos, Robert Marra, foi um forte Barão no tempo de Roger da Normandia; Duque de Puglie, sendo este o primeiro personagem da família, que constam nos registros da História. Ele viveu primeiro, na Cidade de Ravello e depois migrou para as Cidades de Barletta, Nápoles, Messina, Capua, Sissa e Somma onde ele foi concedido para nobreza. Na realidade ele tinha possuído 1050 posses feudais, 2 municípios, 1 marquinata, e 2 ducados.

Angelo Marra era vice-rei do reino, para o Imperador Frederick II e Guardião da Tesouraria Imperial em 1239.

Gizzolino Marra era o Mestre Racional, conselheiro familiar de Carl I de Anjau; E Risone Marra era o Tesoureiro do mesmo rei.

William Marra era o Capitão e familiar de Carl II.

Risone II da família de Marra era Vice-rei do Reino, para Robert de Anjau.

Nicholos Marra era Juiz de Calabrin, Vigário e Capitão para Rei Robert e Rainha Giovanna I.

Elgin Marra era o célebre Condutor de Exército e Vingador do “Massacratore” da sua família, a carnificina aconteceu na Cidade e Barletta.

Matthua Marra era o Capitão de Salerno.

Angelo Marra era o delegado Cardeal e Papal.

Alexander Marra era o Arcebispo de Santosenesina em 1488.

Vincent Marra era General famoso dos veneziano no 17º século.

Francis Marra era um célebre pintor napolitano, gravador, e escultor em 1700.

Saverino Marra era um Nobre da Cidade de Messina em 1798.

Filho do italiano Giovani Marra, Jean-Paul Marat estudou medicina em Paris e Bordéus, terminando o curso na Inglaterra e doutorando-se em 1775, ano em que publicou o “Ensaio Filosófico sobre o Homem”. Marat, O Amigo do Povo, foi militante de destaque na revolução francesa.[2]

A FAMÍLIA MARRA NO BRASIL

Na península Ibérica, chamada de Sefarad, vivia a maior comunidade judaica do globo. Perseguida por motivos políticos e religiosos, viu surgir d’além mar a esperança para sua existência, a colonização do Novo Mundo. Milhares e milhares de famílias, dentre elas a família Marra, afluíram para as Américas e principalmente para o Brasil em busca da liberdade de ser o que eram: judias.

Segundo Lina Gorenstein os estudos sobre o marranismo tem despertado grande interesse. No Laboratório de Estudos sobre Intolerância–LEI da Universidade de São Paulo, as pesquisas sobre Inquisição, cristãos-novos (MARRANOS) e criptojudaismo no período colonial, dirigidas pela professora Novinsky, mapeiam o Brasil, apresentando um quadro do fenômeno que perdurou quase trezentos anos, marcando a mentalidade brasileira. Com pouquíssimas exceções, os  pesquisadores aos quais vou me referir no decorrer deste texto são todos pesquisadores do LEI, orientados pela professora Anita Novinsky.

Nos primeiros séculos da colonização, os cristãos-novos estabeleceram-se principalmente no Nordeste do Brasil, especialmente na Bahia e em Pernambuco.

Nesse período, o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa enviou para a região duas Visitações (em 1591-95 e em 1618)[3], além da presença constante de funcionários da Inquisição, comissários e familiares, que vigiavam, prendiam e enviavam esses cristãos-novos para Lisboa, onde eram julgados como hereges judaizantes.

Para saber quem eram esses cristãos-novos, as principais fontes são os documentos manuscritos do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição e os processos de habilitação de genere.[4] Ambos são também fundamentais para o estudo da “pureza de sangue” e um dos instrumentos para se conhecer a origem das famílias. Os Estatutos de Pureza de Sangue[5], legislação de origem econômica, racista, estabeleceu que os conversos, antigos judeus, (chamados cristãos-novos em Portugal) não eram iguais aos cristãos-velhos uma vez que o Judaísmo era transmitido pelo sangue; esses Estatutos foram adotados pela Espanha e Portugal e em todo o império ultramarino.

Desde o início do século XVII os inquisidores iniciaram a composição de um Livro que contivesse o registro dos nomes de todos os portugueses suspeitos de qualquer culpa contra a fé e os costumes. Essa listagem continuou até a segunda metade do século XVIII. Os nomes dos cristãos-novos naturais do Brasil ou aqui moradores no século XVIII já se encontram publicados em livro – Rol dos Culpados[6]. Encontramos ali não somente os presos, mas também aqueles denunciados como cristãos-novos. A relação mais completa compilada até agora dos moradores do Brasil, e dos naturais do Brasil presos pela Inquisição foi publicada recentemente por Anita Novinsky[7] no livro Inquisição: prisioneiros do Brasil (séc.XVI- XIX).

No século XVI, de duzentos e vinte e três (223) prisioneiros, quarenta e nove (49) eram cristãos-novos; no século XVII, do total de oitenta e sete (87) presos, cinqüenta e nove (59) eram cristãos-novos. No século XVIII foram presos seiscentos e sessenta e três (663) brasileiros, sendo quatrocentos e oitenta e quatro (484) cristãos-novos, acusados de heresia judaizante[8], o que demonstra claramente o maior interesse do Santo Ofício pelos marranos do que por aqueles acusados de outros crimes.

O crime de que eram acusados significava que, segundo os Inquisidores, após a conversão e o batismo, os cristãos-novos continuavam a professar a antiga fé em segredo. Era considerado crime, por exemplo, não trabalhar aos sábados, não comer carne de porco, peixe de escamas, mariscos, lebre, rezar as orações católicas sem dizer Jesus no fim, enterrar os mortos em terra virgem e covas rasas e muitas outras práticas. Entre as celebrações mais comuns estava o jejum do Dia Grande (o Yom Kipur) do mês de setembro, o jejum da rainha Esther, a Páscoa Judaica (Pessach). A crença em um Deus único, a idéia da salvação pela crença na Lei de Moises, a espera pelo Messias e a rejeição a imagens (feitas de pau e pedra), à idolatria e à alguns dos dogmas cristãos (como a virgindade de Maria e o Espírito Santo) estavam presentes entre os cristãos-novos.

Todo cristão-novo confessava haver durante um certo tempo ter tido crença na Lei de Moises para nela salvar sua alma. E, por observância da dita Lei, praticara determinadas cerimônias e se comunicara com correligionários na dita Lei.

A confissão era necessária para salvar a vida – o processo inquisitorial assim o exigia. Porém, é certo que, embora nem todos os cristãos-novos fossem criptojudeus, todos conheciam o criptojudaismo e todos tinham uma memória do Judaísmo.

Os cristãos-novos da Bahia e Pernambuco no século XVI e início do XVII tem sido estudada por alguns historiadores[9]. O Doutorado recente de Ângelo de Assis[10] – orientando de Ronaldo Vainfas – sobre a família de Heitor Antunes e Ana Rodrigues, senhores de engenho em Matoim, na Bahia, trouxe contribuição significativa para o tema do criptojudaísmo.  A família Antunes mantinha em seu engenho, ao lado da capela, uma snoga; diziam-se descendentes dos Macabeus bíblicos. Mantinham vários costumes judaicos, como abençoar os filhos passando a mão pelo rosto, da cabeça ao pescoço, rezar orações judaicas movimentando o corpo à maneira dos judeus, mostrar repulsa a símbolos cristãos, como o crucifixo entre tantos outros. O patriarca já havia falecido quando o Visitador chegou à Bahia, mas a matriarca e suas filhas foram presas e enviadas para Lisboa, onde Ana, uma anciã com mais de 90 anos, faleceu nos cárceres.

Contemporâneo da família Antunes foi o poeta Bento Teixeira, autor do primeiro poema épico brasileiro, Prosopopéia[11], que viveu na Bahia e em Pernambuco no final do século XVI, tema de estudo de Eneida Ribeiro. Conhecedor do Antigo Testamento, quando menino foi ensinado no Judaísmo pela mãe. Chegou a querer se circuncidar, no que foi impedido pelo pai. Freqüentava a esnoga, onde discutiam o Judaísmo, o papel das mulheres na religião, e discussão de dogmas da Igreja, como a Santíssima Trindade e a virgindade de Maria.

A Bahia do século XVII foi o tema de Anita Novinsky, com sua obra clássica Cristãos-novos na Bahia, onde apresenta o conceito fundamental para a compreensão do fenômeno do cristão-novo: o “homem dividido”, dividido entre o mundo católico e o judaico[12], conceito que vários autores tem adotado como Yovel, Morin, Abensur e tantos outros filósofos[13] .

Daniela Levy[14] desenvolve pesquisa para o Mestrado sobre ass vicissitudes dos judeus na América holandesa do século XVII., A história de um povo em busca de uma terra, as dificuldades enfrentadas em uma época de profundo anti-semitismo , onde a Inquisição deixava aos judeus poucas opções de moradia entremeiam a  reconstrução dessa história. Vivendo em um período de “relativa” tolerância no nordeste brasileiro ocupado por holandeses, os judeus tiveram que novamente partir, após a retomada do território pelos portugueses. Um dos navios que saíram do Recife, com 23 judeus chegou a colônia holandesa na América do Norte de Nova Amsterdã, atual Nova York, esse grupo foi responsável pela fundação da primeira colônia judaica na maior cidade da primeira nação realmente democrática do mundo.

Para o século XVIII, estudos recentes indicam que os cristãos-novos representavam no mínimo cerca de 10% da população livre do período no Nordeste. Em Pernambuco, após a expulsão dos holandeses[15], a ação inquisitorial não foi intensa (o Tribunal do Santo Ofício viveu na segunda metade do século XVII um período de retração).

Muitos cristãos-novos haviam saído de Recife e Olinda e seus arredores e se estabelecido na Paraíba, região pertencente ao bispado de Pernambuco, onde o Santo Ofício agiu com mais rigor no século XVIII. No século XVII os cristãos-novos da Paraíba desfrutavam de uma posição social elevada, mas com a crise da economia açucareira entraram em declínio. No século XVIII ocorreu uma diversificação das atividades produtivas: 37% eram lavradores – cerca de metade cultivando a cana de açúcar e os outros dedicados ao plantio do tabaco, da mandioca e gêneros de subsistência. Outros se dedicaram à criação de gado, foram homens de negócios, militares, artesãos e alguns letrados. O que os caracteriza é que muitos tinham duas ou mais atividades diferentes.

No século XVII os cristãos-novos da Paraíba desfrutavam de uma posição social elevada, mas com a crise da economia açucareira entraram em declínio. No século XVIII ocorreu uma diversificação das atividades produtivas: 37% eram lavradores – cerca de metade cultivando a cana de açúcar e os outros dedicados ao plantio do tabaco, da mandioca e gêneros de subsistência. Outros se dedicaram à criação de gado, foram homens de negócios, militares, artesãos e alguns letrados. O que os caracteriza é que muitos tinham duas ou mais atividades diferentes. Como a lavoura e a pesca, a lavoura e o comércio, o comércio e a criação de gado. Houve a tendência de deslocamento do litoral para o sertão desde o início do século XVIII, o que não impediu que na década de 1730 se iniciassem as prisões desses cristãos-novos.

Segundo Fernanda Lustosa, que estudou a região, o criptojudaísmo encontrado na comunidade marrana da Paraíba era forte, com o ensino da Lei de Moisés presente na maioria das famílias. Algumas cerimônias, como o jejum do “Dia Grande”, o respeito ao Shabbat (guardar os sábados como se fossem dias santos), vestindo neles roupa limpa, a manutenção das regras dietéticas casher, não comendo carne de porco, coelho, lebre, peixe sem escamas e alimentos com sangue. Rezavam os salmos de David e o Padre Nosso sem dizer Jesus no fim. Era um grupo crítico em relação ao Catolicismo, considerando Jesus um feiticeiro e desprezando o culto de imagens, consideradas apenas como “pão e barro cozido”; duvidavam da virgindade de Maria e negavam a adoração da hóstia.[16] Bruno Feitler[17] compartilha com Lustosa a confirmação do criptojudaismo da Paraíba, em Doutoramento defendido em Paris.

Após denúncia feita à Inquisição em 1726, cinqüenta pessoas foram presas na Paraíba e enviadas para julgamento em Lisboa. Duas delas receberam a pena de morte, oito morreram nos cárceres do Santo Ofício e a maior parte nunca voltou para a Paraíba.

Na Bahia, a comunidade cristã-nova continuou a atividade mercantil que marcou o século XVII, embora houvesse também senhores de engenho, lavradores, médicos, advogados e pequenos artesãos. No século XVII, cerca de 31% eram mercadores, 20% lavradores e o restante principalmente artesãos[18]. Para o século XVIII, Suzana Santos encontrou uma proporção de mercadores maior: temos 64% dedicados ao comércio e 13% ao trabalho agrícola (5% à mineração)[19]. Nessa época, também predominaram as atividades comerciais. Um dos motivos desse aumento no número de mercadores é que na Bahia, muitos cristãos-novos haviam chegado à região no século XVIII, estando ali estabelecidos há pouco tempo quando o Tribunal do Santo Ofício investiu contra eles.

É na Bahia encontramos um dos mais interessantes cristãos-novos: Antonio Cardoso Porto, cristão-novo português que havia vivido na França – na comunidade judaica de Bordeaux – chegou à Bahia no início do século XVIII. Homem de negócios estabeleceu-se na cidade do Salvador. Conhecia e praticava o Judaísmo – e não o criptojudaísmo encontrado entre os cristãos-novos nascidos no Brasil.  Ensinou sua esposa Angela de Mesquita hábitos de higiene como o banho mensal na mikve[20], conhecia as datas corretas das celebrações religiosas, sabia hebraico, dizia orações  – nos anos em que ficara em Bordeaux, tornara-se judeu.

Era amigo de Miguel de Mendonça Valladolid[21], outro cristão-novo retornado ao Judaísmo (que na Bahia voltou – ao menos formalmente – ao Cristianismo, tendo se re-batizado).  Espanhol, vivera na Holanda e França. Chegou à Bahia no mesmo período que Antonio Cardoso Porto, e os dois podem ser considerado como heresiarcas (aqueles que ensinavam o Judaísmo aos outros cristãos-novos)

Viajando da Bahia para as Minas, fixando-se em São Paulo, Miguel Valladolid confessou ser prosélito do Judaísmo, tentando passar aos cristãos-novos – já pouco conhecedores do Judaísmo, um pouco das tradições de seus antepassados. Apesar de ter confessado suas culpas e delas ter se arrependido, foi condenado à morte.

Em São Paulo, que até meados do século XVIII era uma região bastante pobre, somente três pessoas foram presas e condenadas pelo Santo Ofício no final do século XVII, apesar de a população cristã-nova ser bastante numerosa, tendo raízes no século XVI, como demonstram as pesquisas de Marcelo Amaral Bogaciovas. Dois eram irmãos, filhos de um banqueiro português, que vieram para São Paulo para fugir do Santo Ofício. Um deles, Teotonio da Costa, foi relaxado ao braço secular[22].

Desde o século XVII encontramos cristãos-novos entre os desbravadores e formadores do território nacional. Antonio Raposo Tavares, organizador da primeira expedição de reconhecimento geográfico que abrangeu todo o espaço continental da América do Sul, era de família cristã-nova de Beja[23], e após a morte de sua mãe, cristã-nova, foi criado por uma prima desta que tornou-se sua madrasta. Enquanto Raposo Tavares estava nas minas, sua madrasta era torturada nos cárceres inquisitoriais.

Nas Minas Gerais[24], atraídos pelas oportunidades do ouro, cristãos-novos vieram de outras regiões do Brasil, especialmente Bahia e Rio de Janeiro. Porém, a maioria veio de Portugal. Nas minas se estabeleceram em Vila Rica, Mariana, Serro Frio, Cachoeiro e região do rio das Mortes. Mantinham roças de mandioca, eram mineiros, negociavam ouro e pedras preciosas, havia alguns profissionais liberais, como médicos, mas principalmente, dedicaram-se ao comércio, trazendo para a região gêneros essenciais para a subsistência.

Negociantes cristãos-novos da Bahia e do Rio de Janeiro enviavam “carregações” para as Minas. Alguns ali mantinham residência, deixando na cidade de origem suas famílias, indo e vindo entre a região e o litoral. Levavam para lá vestimentas como chapéus, camisas, calções de pano de algodão; comerciavam panos de linho, aguardente, sal, açúcar, queijos, peixe seco, cavalos e gado e escravos[25].

Dos presos nas Minas nas décadas de 1730/40, a maioria era de imigrantes recentes, tendo chegado de Portugal no século XVIII. Foi a região que forneceu mais cristãos-novos às fogueiras da Inquisição: seis foram relaxados à justiça secular. Todos eram naturais de Portugal. Diogo Correa do Vale era médico, graduado pela Universidade de Coimbra. Fugindo da perseguição do Santo Ofício, veio para o Brasil com o filho Luis, estabelecendo-se em Vila Rica. Em 1730, os dois foram presos pela Inquisição. As acusações de Judaísmo referiam-se à época em viviam em Portugal, isto é, vinte anos antes de serem presos, quando Luiz era criança. Apesar de manter sua inocência, foram condenados à morte. Insistiram que havia sempre vivido sob as leis cristãs e que nelas queriam morrer, mas sua origem judaica selou seus destinos.[26]

Segundo Anita Novinsky, as práticas judaicas em Minas Gerais eram imbuídas de simbolismo e as comunicações secretas se davam freqüentemente através de códigos. As observâncias concentravam-se principalmente no jejum de Yom Kipur, a guarda do Shabbath, a celebração do Pessach e a festa em honra da rainha Esther, além de algumas das restrições dietéticas.

Foi também a procura e a posterior descoberta do ouro que levou cristãos-novos a se estabelecerem em Goiás, objeto de estudo do padre Adalberto Gonçalves. Entre os cinco presos da região, estava o cristão-novo Antonio Ferreira Dourado[27] dono de vasta cultura, biblioteca e autor de um poema épico, a primeira obra literária escrita em Goiás – América, que, confiscada pelos inquisidores, até hoje desaparecida. Preso em 1761 – um dos últimos cristãos-novos presos pela Inquisição no Brasil – denunciado por criptojudaísmo, foi condenado a cárcere e hábito penitencial a arbítrio dos Inquisidores.

Foi no Rio de Janeiro que o Santo Ofício atingiu com maior força a comunidade cristã-nova, onde estava estabelecida desde o final do século XVI. Junto com Carlos Eduardo Calaça, que estudou os letrados fluminenses[28], os marranos do Rio de Janeiro são o tema principal de meus estudos.

A importância dessa comunidade era tão marcante que um viajante francês, François Froger, que esteve na cidade em 1695, considerou que três quartos da população branca da cidade era de origem judaica[29]. Representavam aproximadamente 24% da população livre da região no início do século XVIII.[30] Desses, o Tribunal do Santo Ofício prendeu e condenou trezentos e vinte e cinco pessoas acusados do crime de heresia judaizante, sendo cento e sessenta e sete mulheres[31].

Parte dessa comunidade marrana morava na cidade, exercendo atividades urbanas. Havia os homens de negócios, mercadores, profissionais liberais como médicos e advogados, artesãos, um mestre-escola, militares, caixeiros, alfaiates, dois músicos, dois carpinteiros e sete padres[32]. Mais da metade dos cristãos-novos do Rio de Janeiro estavam ligados à atividade agrícola, principalmente ao cultivo da cana de açúcar e ao fabrico do açúcar como senhores de engenho, donos de partido de cana e suas famílias. Muitos desses senhores ou partidistas tinham outras atividades, eram ao mesmo tempo médicos, advogados ou homens de negócios, mantendo residência nos engenhos e na cidade, e reforçando extensa rede de parentesco. Residiam nas mesmas ruas que a elite colonial. Viviam próximos à elite colonial, ao governador, ao bispo, muitos pertenciam a essa elite, conviviam e comportavam-se como ela. Suas moradias, vestuário e objetos denotavam isso. Os cristãos-novos residiam exatamente nas mesmas ruas onde, como disse o cronista Rocha Pita, encontravam-se as casas “nobremente edificadas” dos moradores da cidade.

Os engenhos e partidos de cana de açúcar dos cristãos-novos localivam-se ao redor da cidade do Rio de Janeiro, nas freguesias de Irajá, Jacarepaguá, São Gonçalo, São João do Meriti e Jacutinga.[33] Em São Gonçalo ficava uma das mais extensas redes de parentesco envolvendo partidistas. No engenho de Golambandé da Invocação de Nossa Senhora de Montesserate, pertencente à família Vale, um dos filhos do senhor tinha um partido de cana; também ali seu genro era dono de partido. Um médico, primo da família, mantinha ali um partido de cana. Dois irmãos, um dele cunhado do senhor do engenho, também tinham ali seus partidos. Era um dos maiores engenhos do Rio de Janeiro. Além da casa grande onde morava a família, havia quatro casas utilizadas para a fábrica do engenho, pastos para 120 bois, cavalos, canaviais e matos. Mais de 120 escravos trabalhavam a terra, e cerca de 20 serviam à família como escravos domésticos[34].

A rede de parentesco era reforçada pelo comportamento endogâmico das famílias cristãs-novas fluminenses. Isso significa que a maioria dos casamentos era realizado entre membros do próprio grupo e também entre membros da mesma família. Mais de 66% dos casamentos realizados no Rio de Janeiro entre 1670 e 1720  foram de cristãos-novos que se casaram com cristãos-novos[35].

As mulheres desses cristãos-novos também desempenharam papel ativo na construção da sociedade fluminense. Conheciam perfeitamente bem o andamento dos negócios dos maridos e pais, e frequentemente eram elas as senhoras dos engenhos e dos partidos, especialmente em caso de viuvez ou da ausência do marido – o que era costumeiro. Muitas dessas mulheres eram alfabetizadas, o que facilitava na administração dos engenhos e partidos. Ao contrário das demais mulheres da colônia – e até mesmo de Portugal – na maioria analfabetas, mais da metade das cristãs-novas do Rio de Janeiro sabiam ler e escrever. Praticamente todos os homens cristãos-novos eram alfabetizados.

Quem foram os descendentes dessas famílias cristãs-novas e qual o seu papel na sociedade atual foi o tema da pesquisa de Mestrado de Paulo Valadares[36], que procurou mostrar a origem judaica de importantes famílias brasileiras.

A ação da Inquisição em Portugal foi estudada por Benair Fernandes Ribeiro[37] . No trabalho de Mestrado Benair apresentou a vida e a obra do poeta e boticário cristão-novo Antonio Serrão de Castro, e prepara doutoramento sobre as imagens sobre a Inquisição. A inquisição espanhola está sendo estudada por Marcos Antonio Veiga, que trabalha com a Galicia.

Robson Santos prepara tese de Doutoramento sobre o anti-semitismo na Companhia de Jesus e Renata Sancovsky prepara seu doutoramento sobre o marranismo entre os judeus no período visigodo.

Para concluir, com o término da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos em 1773, por ordem do Marques de Pombal, cada vez menos foi possível distinguir os marranos na sociedade ampla. Entretanto, trabalhos recentes, como o do genealogista Paulo Valadares e do antropólogo francês Nathan Wachtel[38] resgatam através da memória as origens marranas do povo brasileiro.

A FAMÍLIA MARRA EM MINAS GERAIS

Minas Gerais foi no século XVIII uma das regiões mais procuradas pelos cristãos-novos portugueses. Cada nau que saía do Tejo trazia refugiados ou aventureiros cristãos-novos para o Brasil. Tomando conhecimento da prosperidade da região, do afluxo do ouro e das possibilidades confiscatórias, a Inquisição ordenou uma persistente fiscalização e algumas dezenas de portugueses foram presos, acusados de praticar a religião proibida: o judaísmo. Alguns já estavam estabelecidos nas regiões auríferas desde o início do século.

No município de Carmo do Cajuru (MG), o primeiro “Marra” foi Jacó Marra da Silva, casado com Narcisa Rodrigues da Silva Rosa, filha do capitão Manoel de Medeiros Rosa e de Faustina Rodrigues da Silva, proprietários da sesmaria do Marimbondos” ( Genealogia de Carmo do Cajuru – Oswaldo Diomar ). Jacó Marra da Silva veio de Cachoeira do Campo ( município de Ouro Preto ) para o município de Carmo do Cajuru.

Em 1775 já encontrava-se na região, visto que nesse ano moveu na Justiça uma demanda contra Manoel Gomes Pereira, por causa de terras na Jacuba ( atual S.Antônio da Serra ) e Empanturrado ( atual Monte Santo ). Jacó Marra e d.Narcisa tiveram 5 filhos.

É importante ressaltar que em Minas Gerais como no restante do Brasil, ser acusado de judaísmo não se resumia apenas em seguir algumas leis dietéticas, observar os jejuns, abster-se do trabalho aos sábados, ou obedecer alguns outros preceitos ordenados pela religião judaica.

Autor desta e outras pesquisas e artigos publicados na internet, nascido no dia 06/06/1980 às 15:35pm em Belo Horizonte/MG – Brasil, filho único de Elcio Marra e Maria da Graça Marra, Mariel Márley Marra é a 4ª geração da família Marra em Belo Horizonte, os quais são tradicionalmente Batistas, membros da Igreja Batista do Barro Preto, onde seu avô (in memorian) Elk Marra servia como diácono, filho do ilústre Valdemar Marra (in memorian), o primeiro Marra que se tem registro convertido na igreja Batista em Belo Horizonte/MG.

A FAMÍLIA MARRA PROTESTANTE

Se a maioria dos Marranos no Brasil conseguiu ultrapassar as barreiras discriminatórias legais impostas pela sua origem e sangue, ou a discriminação social, e se diluir na sociedade ampla, houve uma parte que permaneceu marginal e se manteve fiel a tradições, mesmo que apagadas, herdadas dos seus antepassados. A transmissão da memória de uma história vivida e sofrida durante séculos, juntamente com a exclusão legal e social a que estavam sujeitos, reforçou entre os cristãos-novos a resistência na adoção dos preceitos da Igreja, e criou entre eles uma postura crítica frente à religião católica.

Contudo a perseguição católica também se deu contra os protestantes e muitos destes tiveram também que permanecer marginal a sociedade e fiel a suas convicções.

Nas primeiras décadas do período republicano, os protestantes tiveram diferentes atitudes diante da reação católica. Uma delas foi a criação de uma frente unida contra o catolicismo. A entidade conhecida como Aliança Evangélica havia sido criada inicialmente na Inglaterra (1846) e nos Estados Unidos (1867). A congênere brasileira surgiu em São Paulo, em julho de 1903, tendo como presidente Hugh C. Tucker (metodista) e como secretário F. P. Soren (batista). Todavia, o Congresso do Panamá e a subsequente Conferência do Rio de Janeiro, em 1916, revelaram atitudes divergentes em relação ao catolicismo, sendo alguns elementos, principalmente norte-americanos, favoráveis a uma aproximação e mesmo colaboração com a igreja católica. Uma das questões discutidas foi o rebatismo ou não de católicos convertidos à fé evangélica. Esse período também viu o recrudescimento de perseguições contra os protestantes em muitos lugares do Brasil.

Na década de 1920, a Comissão Brasileira de Cooperação, liderada pelo Rev. Erasmo de Carvalho Braga (1877-1932) procurou unir as igrejas evangélicas na luta pela preservação dos seus direitos e no exercício de um testemunho profético junto à sociedade brasileira. Esse esforço teve prosseguimento até os anos 60 na Confederação Evangélica do Brasil. Após 1964, as relações das igrejas evangélicas e da Igreja Católica com o estado brasileiro tomaram rumos por vezes diametralmente opostos, cujas conseqüências se fazem sentir até os dias de hoje.

A Convenção Batista Brasileira foi organizada no dia 24 de junho de 1907 na Primeira Igreja Batista da Bahia (Salvador), quando 43 delegados, representando 39 igrejas, aprovaram a “Constituição Provisória das Igrejas Batistas do Brasil”.

Na chamada “questão radical”, líderes batistas do nordeste apresentaram um memorial aos missionários em 1922 e um manifesto à Convenção em 1925 reivindicando maior participação nas decisões, principalmente na área financeira. Não atendidos, mais tarde organizaram-se como um facção separada da Convenção e da Junta. As bases de cooperação entre a igreja brasileira e a Junta de Richmond voltaram a ser discutidas em 1936 e 1957.

Em 20 de dezembro de 1957, na rua Formiga 322, bairro da Lagoinha, 30 irmãos provenientes de três Igrejas Batistas de Belo Horizonte (Floresta, Primeira Igreja Batista e Barro Preto) assinaram a ata de inauguração da Sexta Igreja Batista de Belo Horizonte, ou, como ficaria conhecida, a Igreja Batista da Lagoinha.

Em 15 de maio de 1958, chegou o Pastor paraibano José Rego do Nascimento, que fora convidado para pastoreá-la. Ele vinha de um ritmo abençoado na Igreja Batista de Vitória da Conquista/BA, onde teve a experiência de ser batizado com o Espírito Santo, em seu escritório, em casa.

Ser “cheio do Espírito” era tudo o que ele desejava em seu ministério. Com tal unção, sua pregação era diferente das demais. Atraía as pessoas. O Pastor Rego tinha convites para falar em todo o Brasil. E, em uma série de palestras que deu no Seminário Batista do Sul/RJ, os jovens seminaristas pediram-lhe para falar sobre o tema: “Pentecostes se repete?” A unção do alto que veio era tão grande que os jovens oravam e choravam, ajoelhados ou prostrados, e todos ficaram cheios do Espírito Santo! Aquela reunião estava iniciando um novo tempo na Igreja Evangélica no Brasil…

Após o memorável acontecimento no Seminário, a notícia de que o Pastor Rego era pentecostal se espalhou, e houve uma reunião na igreja para resolver a questão. Foi proposta uma votação entre os membros da Lagoinha para decidir se o Pastor Rego era pentecostal-herético ou batista; se fosse “pentecostal”, ele não poderia mais ocupar o púlpito da Lagoinha. O resultado final foi: 29 votos para “batista” e 11 para “herético”.

Dois dias após essa decisão, quando o Pastor Rego e os irmãos foram para a sua costumeira reunião de oração, não conseguiram entrar no salão de cultos. A porta estava trancada com novos cadeados. Isto fora feito por dois irmãos que eram líderes da Lagoinha e fiadores responsáveis pelo imóvel do templo. Eles não aceitaram a decisão da maioria, e tentaram, em vão, manter o salão com uma “minoria fiel” aos princípios tradicionais, mas isso não prevaleceu. Os móveis da igreja, incluindo o piano, ficaram no Colégio Batista Mineiro, tendo sido doados para uma instituição no interior, onde aconteceu um incêndio e tudo se perdeu.

Lagoinha peregrinou por 40 dias num “deserto”, sem lugar fixo para os cultos. Os irmãos reuniram-se na Terceira Igreja Batista e na Floresta, até conseguirem sua sede provisória à rua Manoel Macedo, 163. Iniciaram a campanha para a compra do lote na mesma rua (nº 360). A igreja não parava de crescer… O Pastor Rego se doava incansavelmente ao rebanho, às vigílias, às pregações inflamadas do poder de Deus.

Em 8 de abril de 1962, chega Airton dos Santos Sales, seu amigo e discípulo, vindo do Rio de Janeiro para ser co-pastor, junto ao rebanho da Lagoinha. Foi uma parceria perfeita e completa. Até o ano de 1965 ambos caminharam na graça e na unção do Espírito de Deus, alimentando o rebanho fértil, que crescia e já dera início a uma nova denominação: “Batista Nacional”. Eram também chamados de “renovados”, por causa do programa radiofônico dirigido pelo Pastor Rego, intitulado “Renovação Espiritual”, com repercussão nacional. Lagoinha abriu uma nova geração na história do protestantismo brasileiro: no meio dos evangélicos históricos (os tradicionais) havia agora os “renovados” (batizados com o Espírito Santo). Nesse ano, 1965, o Pastor Rego adoeceu…

O Pastor Airton assumiu o pastorado efetivo da igreja até março de 1968, data em que o Pastor José Rego retornou. Desde que o Pastor Airton deixara Lagoinha, as sessões não foram presididas pelo Pastor Rego, mas, sim, pelo Pastor René Feitosa, membro da Lagoinha e diretor do Seminário Teológico Evangélico do Brasil (STEB). O Pastor Rego não estava ainda em condições de administrar rebanho tão grande. Então, em 17/04/69, o Pastor Ilton Quadros, Secretário Executivo da CBN, assumiu interinamente o púlpito da Lagoinha, até que novo pastor fosse efetivado. Isto se deu em 15/12/69, com o convite feito ao Pastor Reuel Pereira Feitosa, que dirigiu a Igreja da Lagoinha até 06/01/72. O Pastor Reuel fez excelente trabalho, principalmente entre os jovens. Em dezembro de 70, o Pastor Reuel teve uma difícil decisão a ser tomada: aceitar ou não o pedido do Pastor Rego de ter a sua carta demissória entregue por Lagoinha. Por ser muito amado pelos membros, houve crise nesse impasse e o Pastor Reuel sentiu a direção de entregar o cajado de Lagoinha. E, novamente, o Pastor Ilton Quadros assumiu interinamente o púlpito da Lagoinha…

Desde o início do ano de 1972, o Pastor Ilton Quadros segurou com firmeza o cajado da Lagoinha.  Em fins de maio de 1972, ele viajou para Brasília, a fim de convidar um pastor para Lagoinha. Foi então que aconteceu um grave acidente com o veículo em que viajava, e o Pastor Ilton Quadros foi hospitalizado. Estaria impossibilitado por um bom tempo de pregar e exercer suas funções pastorais. Nesta ocasião, o jovem pastor, membro da Lagoinha, formado pelo STEB, Márcio Roberto Vieira Valadão, voltava de Ponta Grossa/PR sob a orientação do Senhor. Ali esteve durante um ano, servindo a irmãos preciosos, aos quais aprendera a amar. Regressara a Belo Horizonte para iniciar um trabalho missionário com pessoas marginalizadas.

Ao visitar o Pastor Ilton Quadros no hospital, recebeu deste o convite para pregar até a sua plena recuperação física. A igreja sentiu-se confortada e amparada por seu jovem pastor. A comissão consultiva se reuniu, resolvendo convidá-lo. E em 31 de julho de 1972, Márcio Valadão foi empossado como pastor efetivo da Lagoinha. Desde esta data, o Pastor Márcio Valadão tem sido conduzido pelo Senhor no pastoreio da Lagoinha.

A década de 70 foi um período que se caracterizou por grande dinamismo no que tange ao crescimento interno e à expansão evangelístico-missionária. Todos os trabalhos dos departamentos da Lagoinha sempre contavam com a presença de seu pastor. Em seu primeiro ano de ministério, as tarefas foram distribuídas entre os irmãos. A igreja formava caravanas, com ônibus lotados, para visitas a estas congregações, e se fortalecia o trabalho evangelístico. Em 77, construiu-se o prédio de Educação Religiosa ao lado do templo. Com o trabalho crescendo sempre, a igreja veio a ter a sua primeira secretária em tempo integral, Vera Dulce da Silva, a “Verinha”. Foi um período dinâmico e festivo.

No ano de 80 novos Departamentos da Igreja foram se consolidando, para o bom desempenho da missão: a Comissão Consultiva, a Ação Social, o Financeiro, o Evangelismo, o Departamento de Música, o de Educação Religiosa (CFO) e o Administrativo. A Igreja começou a romper também na área cultural, quando surgiu o Jornal “Atos Hoje”, com sua proposta evangelística. A Escola Cristã teve início com o Ensino Fundamental. O ano de 1982 foi chamado de “o ano da conquista”. O Pastor Márcio Valadão trouxe à igreja o desafio da expansão da sede e formularam-se os planos de comprar os lotes ao redor do templo. Nesse tempo, a igreja ganhou um ônibus e comprou uma área para realização de acampamentos; a “Fazendinha” (Km 25 da Br 262). Em 1987 veio a tornar-se um marco na história dos “Batistas Nacionais”. O projeto de crescimento através de frentes missionárias com o estabelecimento de congregações teve o seu momento de amadurecimento. Em 15 de abril de 1987, em sessão ordinária, foi apresentada à Lagoinha a proposta da emancipação das Congregações que fundara. A igreja começou então um novo tempo.

Na década de 90 a Igreja da Lagoinha encontrava-se madura para prosseguir sua missão. A Escola Cristã consolidou-se como “Colégio Cristão de Belo Horizonte”. Em 1992, o Centro de Formação de Obreiros (CFO), veio a substituir a Escola da Bíblia, embrião que se transformou em faculdade de ensino teológico, a FATE-BH, que em 2008 foi incorporada pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, onde Mariel M. Marra graduou-se bacharel em Teologia.

O Pastor Jonas Neves implantou os “Grupos de Crescimento” nos lares. O número de funcionários da Lagoinha cresceu vertiginosamente. A “fundação Oásis” reestruturou os Estatutos da Beneficência e ampliou em grande escala a atuação social da Lagoinha. Dentro dessa Fundação se incluíam as seguintes organizações: a Casa das Vovós; o Centro Estudantil; a Creche Oásis; o Projeto “Menina Dança”; a Ação Social da Lagoinha; a Assistência Médica Evangélica (AME); a Clínica Integradas e Odontologia (CLIO); o “Projeto Resgate”, para recuperação de viciados; e vários outros projetos sociais.

Surgiu o “Ministério Ephatá”, para a evangelização dos surdos; o Ministério Siloé, para os cegos. O Projeto Madalena, levando a restauração às prostitutas; o projeto “Deus se Importa”; o “Telefone da Paz”.

O programa “Profetizando Vida”, transmitido pela TV Bandeirantes, veio a gerar o “Profetizando Vida – Cartas”, oferecendo o “Curso Bíblico por Correspondência”. O “Projeto Centésima Ovelha”; o “Ministério Onésimo”; a “Rádio Comunitária Oásis”.

Em 1998 ficou pronto o novo templo, sendo que em 2009/2010 iniciará a construção do terceiro templo da IBL, anunciando assim um novo tempo para esta congregação e um novo tempo para a igreja evangélica brasileira, sendo que sua história encontra-se muitas vezes com a história de desafios, esperança, perseverança e conquistas da família Marra.

Considerações Finais

Pode-se concluir, a partir dos resultados do presente estudo que a família MARRA/MARRAS, quanto ao seu surgimento na antiguidade, é uma família de origem sefardim / anussim descendente em parte dos cohanin e em parte da antiga tribo de Benjamim.

Conclui-se também que a família Marra, quer sejam judeus ou protestantes, ambos sofreram perseguição religiosa e que este sobrenome foi originado a partir de algumas possíveis transliterações.

Esta pesquisa não é conclusiva, uma vez que entreabre portas para que outros estudos lhe dêem continuidade.

Dedico este trabalho a Deus, por estar presente em minha vida me iluminando em todos os momentos; Dedico a todos os membros diretos ou indiretos da nobre família Marra que foram semeados pelo mundo.

Que Deus, em sua infinita Graça e misericórdia manifesta em Cristo Jesus, alcance o coração de todos os Marras, iluminando seus caminhos, enchendo-os de sabedoria e os faça florescer e prosperar para a glória de Deus onde foram plantados.

Belo Horizonte, 31 de Outubro de 2009

Mariel Márley Marra

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  79. Um Caderno de Cristãos -Novos de Barcelos, de Luís de Bivar
  80. Inquisição de Evóra dos Primórdios a 1668, de Antônio Borges  Coelho
  81. A Inquisição em Minas Gerais no Século XVIII, de Neusa Fernandes
  82. A Inquisição Portuguesa no Século XVII, de Antônio de Portugal de Gente da Nação.Um Dicionário do Judeus Residentes no Nordeste (1630-1654), de José antônio goncalves de Mello
  83. Communauté Portugaise de Tunisie, de Samuel de Paz
  84. Diomar, Oswaldo – Genealogia de Carmo do Cajuru, 2004.
  85. Brasil marrano: as pesquisas recentes. Disponível em: http://www.rumoatolerancia.fflch.usp.br/node/104. Acesso em: 21 Out. 2009.
  86. Nossa História. Disponível em: http://www.lagoinha.com/engine.php?pag=ibl_conteudo&secpai=58&sec=25&cat=189&art=6687. Acesso em: 21 Out. 2009.

[1] Mariel M. Marra é bacharel em Teologia pelo Centro Universitário Izabela Hendrix de Belo Horizonte, colaborador do portal Lagoinha.com, membro da Igreja Batista da Lagoinha e presta apoio ao Ministério Justiça de Deus (JUSDEI) – Para convites e outras informações: marielmarra@gmail.com[2] Jean-Paul Marat. <Disponível em: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u731.jhtm> <Acesso em 21 Out. 2009.>

[3] Ronaldo Vainfas (ed.) “Introdução” Denunciações da Bahia. São Paulo, Companhia das Letras, 1997; Eduardo d´Oliveira França e Sonia Aparecida Siqueira ª “Introdução” a “Segunda Visitação do Santo Ofício às partes do Brasil pelo inquisidor e visitador licenciado Marcos Teixeira – Livro das confissões e ratificações da Bahia” in Anais do Museu Paulista.São Paulo, tomo XVII, 1963.  Sonia Aparecida Siqueira A Inquisição portuguesa e a sociedade colonial. São Paulo, Ática, 1978. Alguns  autores trataram da ação inquisitorial das Visitações no Nordeste e do período holandês . Ver entre outros Arnold  Wiznitzer Os judeus no Brasil colonial. São Paulo, Pioneira, 1966; Elias Lipner Os judaizantes nas capitanias de cima. São Paulo, Brasiliense, 1969; José Antonio Gonçalves de Mello Gente da Nação. Recife, Massangana, 1989.

[4] Os manuscritos do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa estão arquivados em Lisboa no Arquivo Nacional da Torre do Tombo; os processos de habilitação de genere são encontrados nos arquivos das Cúrias da Igreja Católica em diversas cidades brasileiras.

[5] Ver  Albert Sicroff  Les Controverses dês Status de Pureté de Sang en Espagne du Xve au XVIIe siècle. Paris, Librarie Marcel Didier, 1960; Charles Amiel “La pureté de sang” in Espagne-Études Inter-Ethniques, 6, 1983. Anita Novinsky  A Inquisição. 4a ed, São Paulo, Brasiliense, 1986;  Maria Luiza Tucci  Carneiro Preconceito racial no Brasil colônia. São Paulo, Brasiliense, 1983

[6] Anita Novinsky Inquisição – Rol dos Culpados – fontes para a história do Brasil, século XVIII. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 1992.   O Rol dos Culpados – século XVII está no prelo.

[7] Anita Novinsky Inquisição – Prisioneiros do Brasil, séculos XVI- XVIII. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 2002

[8] Ibidem, p.39

[9] Ver Wizniter,A op.cit; Angela  M.Vieira Maia À sombra do medo. Cristãos-velhos e cristãos-novos nas capitanias do açúcar. Rio de Janeiro, Oficina Cadernos de Poesia, 1995; Elias Lipner, op.cit.

[10] Ângelo Adriano Faria de Assis   Macabeas da Colônia: criptojudaismo feminino na Bahia- séc.XVI-XVII. Niterói, UFF, Doutoramento, 2004, mimeo.

[11] Prosopopéia – poema épico que relata a viagem e o naufrágio de Jerônimo de Albuquerque, publicado pela primeira vez em 1601, um ano após a morte do autor.  Ver Eneida Ribeiro  Bento Teixeira: o marrano que teve a prisão por recreação, a solidão por companhia e a tristeza por prazer. Relatório de Qualificação (Mestrado). São Paulo, FFLCH-USP, 2005 (mimeo)

[12] Anita Novinsky Cristãos-novos na Bahia, São Paulo, Perspectiva, 1972, p.162

[13] Yirmihahy Yovel Spinoza and other Herectics. Princenton, Princenton University Press, 1989, 2 vols. Edgar Morin Os meus demônios.  Sintra, Publicações Europa América, 1994; Jean Pierre Winter.Os errantes da carne: estudos sobre a histeria masculina. Rio de Janeiro: Cia. de Freud, 2001; Antonio Damasio Looking for Spinoza – Joy, Sorrow and the Feeling Brain. New York, Hartcourt, 2003; Michel Abensur Le Paria – une figure de la Modernité. Tumultes, no 21-22, nov.2003, ed. Kimpe,2003

[14] Daniela Levy A expansão dos judeus sefaradi no novo mundo (Pernambuco, século XVII). (Mestrado em andamento)

[15] Esse período é fundamental para a história das religiosidades no período colonial período. Não é possível examiná-lo aqui devido à riqueza do tema.

[16] Ver Fernanda Lustosa “Marranismo na Paraíba: adaptação e resistência”. In Lina Gorenstein e Maria Liza Tucci Carneiro (org.) Ensaios sobre a Intolerância – Inquisição, Marranismo e Anti-semitismo. São Paulo, Humanitas/FFLXH-USP, 2002, p.141-142..Ver também da mesma autora Raizes judaicas na Paraíba colonial. São Paulo, FFLCH-USP, Mestrado, 2002 (mimeo) e Bruno Feitler, Inquisition, juifs et nouveaux-chrétiens au Brésil. Le Nordeste, XVIIe-XVIIIe siècles. Louvain, Presses Universitaires de Louvain, 2003.

[17] Ver Bruno Feitler Inquisition, juifs et nouveaux-chrétiens dans lês capitanies du nord de l´Ètat du Br´sil aux XVIIème et XVIIIème siècles. Thèse de Doctorat. Paris, Écoles dês Hautes Études em Sciences Sociales, 2002

[18] Ver Suzana Maria de Souza Santos Marranos e Inquisição (Bahia, século XVIII). São Paulo, FFLCH-USP, Mestrado, 1997 (mimeo); “Uma família cristã-nova portuguesa na Bahia setecentista” in Lina Gorenstein e Maria Luiza Tucci Carneiro, op.cit., pp.145-174.

[19] Anita Novinsky Cristãos-novos na Bahia, op.cit., p. 176

[20] Mikve palavra hebraica que significa “reunião”. Piscina de água “viva”, acumulada da chuva ou de uma fonte, que é usada no ritual de purificação e ablução. Por exemplo, mulheres casadas usam a mikve após a menstruação, antes de recomeçarem as relações sexuais com seus maridos.Ver Alan Unterman Dicionário judaico de lendas e tradições. Trad. Paulo Geiger. Rio de Janeiro, Jorge Zahar ed., 1992, p.175

[21] Ver Claudeteane Rodrigues  “Miguel de Mendonça Valladolid: um mercador cristão-novo” in Lina Gorenstein e Maria Luiza Tucci Carneiro, op.cit.,pp.215-220

[22] “Relaxado ao braço secular” significava que o réu havia sido condenado a morte pelos Inquisidores. Como a Igreja nunca “matava”, entregava o preso ao poder secular que executava a sentença. A pena era a morte na fogueira; se antes da execução da sentença o réu dissesse que desejava morrer pela Lei de Cristo, antes de ser queimado, era garroteado. Caso contrário, era queimado “em carne”, ou seja, vivo. Marcelo Amaral Bogaciovas está preparando dissertação de Mestrado sobre os cristãos-novos de São Paulo, com o título   Tribulações do Povo de Israel na São Paulo Colonial.

[23] Ver Anita Novinsky “Cristãos-novos na construção do Brasil” in Arnaldo Niskier (coord.) Contribuição dos judeus ao desenvolvimento brasileiro. Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Letras e Univ.Gama Filho, 1998, pp.29-40.

[24] Ver Anita Novinsky  “Ser marrano em Minas Colonial” in Revista Brasileira de História. São Paulo, ANPUH/Humanitas, n.40, julho de 2001, pp.161-176.

[25] Ver Lina Gorenstein Ferreira da Silva Heréticos e Impuros – Inquisição e cristãos-novos no Rio de Janeiro, século XVIII. Rio de Janeiro, Séc. Municipal de Cultura, Depto de Informação e Editoração, 1995.

[26] Anita Novinsky, op.cit.

[27] Ver Adalberto Gonçalves Araújo Jr Cristãos-novos e Inquisição no século do ouro em Goiás. São Paulo, FFLCH-USP, Mestrado, 1998 (mimeo) e “A biblioteca de um cristão-novo nas Minas de Goiás” in Lina Gorenstein e Maria Luiza Tucci Carneiro, op.cit., pp.319-339

[28] C. E. Calaça Costa Fonseca Anti-Semitismo na Universidade de Coimbra: cristãos-novos do Rio de Janeiro (1600-1730). São Paulo,FFLCH, USP, Doutoramento, 2004. (mimeo)

[29] François Froger Rélation d´um Voyage fait em 1695, 1696 et 1697 aux cotes d´Afrique, detroit de Magellan, Bresil, Cayenne et Isles Antilles par une esquadre des vasseaux du Roi, commandée par M. de Gennes faite par lê Sieur Froger, Ingenieur volontaire sur le vaisseau le Faucon Anglois. Amsterdam, chez les heritiers d´Antoine Schelte, MDCXCIX, p74-75

[30] Ver Lina Gorenstein Ferreira da Silva “O sangue que lhes corre nas veias, op.cit., parte I, cap.II, pp.70-71 e Lina Gorenstein e Carlos Eduardo Calaça “Na cidade e nos Estaus: cristãos-novos do Rio de Janeiro “ in Lina Gorenstein e Maria Luiza Tucci Carneiro, op.cit.,p.100.

[31] Até o momento, as pesquisas indicam que trezentos (300) cristãos-novos moradores do Rio de Janeiro foram presos. Cristãos-novos naturais da cidade, porém moradores em outras localidades, também foram presos. Se contabilizarmos esses presos, e também aqueles que foram presos na cidade, mas não chegaram a ser processados por terem falecido antes de serem entregues ao Tribunal em Lisboa, chegamos ao número de cento e sessenta e sete (167) mulheres e cento e cinqüenta e oito (158) homens, totalizando trezentos e vinte e cinco (325) cristãos-novos naturais ou moradores no Rio de Janeiro presos entre 1703 e 1740.

[32] Ver Lina Gorenstein Ferreira da Silva Heréticos e Impuros, op.cit., cap.III

[33] Ibidem, Cap.III

[34] Ver  Anita Novinsky Inquisição – Inventários de bens confiscados a cristãos-novos. Lisboa, Casa da Moeda/Liv. Camões, s.d. e Lina Gorenstein  A Inquisição contra as mulheres, op.cit, parte II, cap. I.

[35] Ver Lina Gorenstein, op.cit.

[36] Paulo Valadares A presença ocuta – origem judaica de famílias brasileiras. São Paulo, FFLCH,USP, Mestrado, 2004

[37] Benair Ribeiro Um morgado de miséricas” subsídios para um Auto de um poeta marrano. FFLCH, Mestrado, 2001, mimeo. Ver também Denise Carollo A política inquisitorial na Restauração portuguesa e os cristãos-novos. FFLCH-USP, Mestrado, 1995 e Luis Nazário Autos de Fé como espetáculos de massa.São Paulo, Humanitas, 2005

[38] Paulo Valadares “A Presença Oculta, op.cit Nathan Wachtel.

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